Diria que a motivação é um elemento chave para nos manter em movimento, para continuarmos a querer alcançar mais, para nos superarmos a cada dia.

Podemos falar de dois tipos de motivação, com resultados bem diferentes entre si. Por um lado, temos a motivação intrínseca e, por outro, a motivação extrínseca. A primeira é aquela que nos permite manter a auto motivação, que nos permite encontrar em nós próprios as respostas para continuarmos o caminho. Por sua vez, a motivação extrínseca prende-se com reforços externos como recompensas, elogios, presentes…

Ora, parece-me que em boa medida, estes dois tipos de motivação podem coexistir [quando usados no momento certo]. No entanto, desenvolver a motivação intrínseca dá à criança [e aos adultos também] a capacidade de se auto regular sem ser necessária intervenção externa. Faz sentido para ti este raciocínio?

Vamos então agora ver como podes ajudar as crianças a desenvolver a sua motivação em 6 passos simples.

1. Ajuda-a a descobrir quais são os seus sonhos e paixões

Quando temos algo que nos apaixona a nossa motivação aumenta. Temos um sonho, um foco a seguir e a recompensa natural será alcançar esse mesmo sonho.

Para ajudar a criança a ter esta visualização dos seus sonhos e paixões podes ajudá-la a criar um Mapa de Sonhos. Este mapa irá servir de farol para o caminho a percorrer. Irá ajudar a iluminar quando parece demasiado difícil ou quando esquecemos o porquê de estarmos naquele caminho. Para fazerem este mapa podem usar uma cartolina grande, recolher imagens que ilustrem os sonhos e objetivos a alcançar, adicionar desenhos e frases e… afixar num local onde seja visto diariamente. Além de ser uma atividade enriquecedora, será a base para os próximos passos.

2. Estabelecer objetivos e metas

Ora, se queremos alcançar um sonho é importante definir objetivos e metas intermédias para lá chegar.

Imagina uma montanha. Não será apenas por imaginares a montanha e te imaginares no topo da montanha que vais ser teletransportada para lá, certo? [a não ser que tenhas capacidades que desconheço e, nesse caso, partilha pois ia adorar trabalhar essa competência 🙂 ] Tens que percorrer o caminho até lá [seja lá de que forma for].

Enquanto adultos cabe-nos ajudar a criança a perceber como dividir em pequenos passos o grande objetivo.

Por exemplo: O objetivo da criança é aprender a andar de bicicleta. Possivelmente, se nunca andou de bicicleta, pode ser difícil andar perfeitamente na primeira tentativa que faz. Então visualizamos o caminho do topo da montanha até à base para perceber os passos que podem ser dados [não há receitas certas. Este mesmo objetivo de aprender a andar de bicicleta pode ser alcançado de variadas formas dependendo da realidade da criança]. Por exemplo, a criança já tem bicicleta? Vão comprar? Vão usar emprestada? E depois de ter bicicleta qual será o passo mais adequado?

E este é o exercício e caminho a ser feito com a criança. Vamos a isso?

3.Permite que a criança explore diferentes formas de resolução

Manter a motivação intrínseca pode ser um verdadeiro desafio. Daí ser importante permitir que a criança trace o seu próprio caminho, defina os seus objetivos e a forma como os vai alcançar. Ao sentir que está a fazer as suas escolhas a criança sente-se mais motivada e vai explorando diferentes opções.

Cabe ao adulto estar disponível para ajudar a criança caso necessite de novas ideias, no entanto sempre numa perspetiva de “fazer pensar” e não de dar respostas.

4. Presença e não mão de obra

Parece estranho, eu sei!

Podes sentir a tentação de elogiar e recompensar a cada passo dado ou a cada conquista alcançada. Ou até mesmo a dar respostas e soluções quando parece que a criança não está a conseguir. [Falo num ponto mais abaixo sobre os elogios e recompensas]

Recorda que disse no ponto acima que é importante que o adulto esteja disponível para auxiliar. São os sonhos do teu filho e ele vai adorar ter-te a fazer a caminhada com ele mas não vai ser benéfico [para nenhum dos dois] se o carregares ao colo toda a viagem. Podes sim, dar-lhe a mão e encontrarem juntos uma solução para o grande pedregulho que surgiu a meio da montanha.

Desta forma, possibilitas também que a criança desenvolva a sua auto confiança e auto estima.

5. Torna-o no professor

O teu filho vai fazer diferentes aprendizagens neste percurso e vai adorar poder partilhá-las. Seja com os adultos, seja com os amigos, primos ou irmãos. Esta posição de professor fará também com que possam surgir questões em que a criança ainda não tinha pensado.

Quando a criança te explicar o que está a fazer e te mostrar o processo, as dificuldades, as conquistas… ouve-o genuinamente e com atenção, coloca questões, convida à reflexão, sem impor o teu ponto de vista ou sugestões.

A criança pode, por exemplo, ensinar um amigo a criar o seu próprio Mapa de Sonhos ou a sua Montanha de Metas.

6. Menos recompensas. Mais reflexão

Referi anteriormente que as recompensas e elogios são uma forma de motivação extrínseca. Uma espécie de empurrão que damos à criança para continuar montanha acima. Agora repara, se a criança não conseguir encontrar o seu próprio ritmo para manter a caminhada vai estar sempre dependente dos teus empurrões. E quando lá não estiveres para empurrar, possivelmente encosta-se à sombra da primeira árvore aguardando que alguém dê o empurrãozinho. Faz-te sentido esta comparação?

Falarei sobre elogios e recompensas de forma mais detalhada noutra altura mas deixo apenas uma dica. Elogia o processo e não o resultado.

É diferente dizeres “Uau! Já viste o caminho que já conseguiste fazer sozinho? Como te sentes?” ou “Parabéns! Esse Mapa de Sonhos está tão bonito!”

Então, em alternativa aos elogios e recompensas desprovidas de conteúdo promove a reflexão. Convida a criança a ir um pouco mais além, a superar-se, a refletir sobre o percurso feito, a avaliar e reprogramar.

Qual vai ser o teu primeiro passo?

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